Débora Cherubini

DÉBORA CHERUBINI
Fisioterapia & Estúdio Pilates

O que é Escoliose?

 

A escoliose é um termo descritivo e não um diagnóstico. Em mais de 80% dos casos, uma causa específica não é conhecida.

É um desvio da coluna no plano frontal acompanhado de uma rotação e de uma gibosidade (corresponde a uma látero-flexão vertebral). Assim, a coluna realmente se torce, não somente para os lados, mas também para frente/trás e em volta de seu próprio eixo (flexão ou extensão no plano sagital, rotação no plano axial e inflexão lateral no plano frontal). É uma torção dos elementos básicos da coluna em torno do eixo principal (KNOPLICH, 2015). Ela é definida quando existe uma curva na coluna maior do que 10°.

As curvas menores de 10° são consideradas escolioses posturais. É mais comum do que imaginamos e chega a estar presente em até 3% da população em geral.

Na escoliose ocorre um crescimento desigual entre três tipos de tecidos: ósseo, conjuntivo e muscular. Estes três tecidos são intimamente ligados e agem sempre juntos na função de locomoção (FAUVY 2004).

Teoriza-se que os problemas relacionados com a escoliose podem ocorrer como resultado do desequilíbrio do corpo e padrões de movimentos “preferidos”. Uma área fraca ou desalinhada pode resultar numa propensão à compensação ou desenvolvimento de outra área (Blum, 2002).

  1. Início da escoliose:

Normalmente há uma retração assimétrica, a qual é maior no lado da concavidade da curvatura, onde estão localizadas as setas encarnadas. A coluna está em desequilíbrio.

  1. Em busca do equilíbrio:

De modo a alcançar o equilíbrio, os músculos espinhais vão contrair-se mais do lado esquerdo na zona imediatamente acima da primeira curvatura (setas cor de laranjas).

  1. Retração assimétrica:

Devido à retração assimétrica formou-se uma segunda curvatura e cabeça voltou ao eixo.

Quando ocorrer escoliose em pequeno grau, forças de torção e lateralização se somam às forças compressivas, levando à descompensação do tronco e, conseqüentemente, à piora da escoliose. A progressão dependerá da ação da gravidade e da qualidade muscular (Sizínio ET all, 2003).

Segundo Souchard e Ollier, todo o desvio postural é fixado por um músculo estático retraído. No caso da escoliose, os músculos retraídos responsáveis pelo posicionamento característico da deformidade são os transversos espinhais (sobretudo os multífidos), cujas inserções sobre as vértebras deixam claro a capacidade de produzir rotação para um lado e látero-flexão para o lado oposto, característica das curvaturas escolióticas. Portanto, o caráter compensatório das escolioses, distribuído em níveis, deve-se a uma retração assimétrica dos músculos espinhais, afetando a biomecânica do gradil costal.

No lado côncavo da curva, os processos transversos rodam anteriormente, levando junto às costelas, diminuindo assim o espaço intercostal. No lado convexo ocorre o oposto, deslocando o eixo de rotação das costelas, afetando a eficiência dos músculos intercostais e reduzindo a complacência do gradil costal.

A maioria das escolioses não apresenta causa conhecida, sendo classificada como escoliose idiopática. A escoliose não-idiopática é causada por um tipo específico de doença ou condição que apresenta, entre outras manifestações clínicas, a escoliose.

Escoliose Idiopática:

Sem causa aparente, em geral sem dor, contudo com alterações posturais evidentes.

De acordo com a idade em que surge pode ser classificada como:

– Infantil (0-3 anos)

– Juvenil (3-10 anos)

– Adolescente (>10 anos)

Escoliose não-Idiopática:

Escoliose de Adaptação – surge como um mecanismo automático de adaptação do organismo a uma nova situação. Exemplo mais comum é a diferença no comprimento dos membros inferiores.

Escoliose Malformativa ou Congênita – ocorre durante o desenvolvimento do feto e, apesar das causas serem irreversíveis, o tratamento atenua o agravamento da deformidade, previne o surgimento de dor e de complicações viscerais.

Escoliose Neurológica ou Distrófica – desenvolve-se associada a patologias neurológicas e musculares, como: paralisia cerebral, mielomeningocele, paralisia por traumatismo, poliomielite, distrofias musculares, neurofibromatose, entre outras.

Escoliose Antálgica – escoliose de uma curva que surge em conseqüência de um processo doloroso, podendo este estar ou não relacionado diretamente com a coluna vertebral.

Classificação de acordo com a localização da curvatura, a qual é definida a partir do ápice da mesma. Seu nome é dado pelo lado da convexidade, ex. escoliose lombar direita (a convexidade está do lado direito, na região lombar).

Escoliose não estruturada ou atitude escoliótica – são desvios da coluna, em geral somente para os lados, sem componente de rotação no Raio Xque, com bastante frequência, podem ser reduzidos totalmente, ou seja, testes de flexibilidade mostram que a coluna é flexível a ponto de retornar sua forma fisiológica. Têm causas que variam de um mau hábito postural a um desequilíbrio momentâneo de crescimento dos membros inferiores, por exemplo.

Escoliose estruturada – são aquelas que, em geral, vão evoluir com alterações nos três planos do espaço, com importante componente de rotação no Raio X e que devemos tentar frear sua evolução o mais rápido possível. Testes de flexibilidade indicam que a coluna vertebral, neste caso, não pode mais ser reduzida à sua condição fisiológica.A escoliose estruturada caracteriza-se pela fixação ou rigidez da deformidade. O paciente não consegue ativamente corrigir ou manter corrigido o desvio.

Para diferenciar a escoliose estruturada da não estruturada (ou atitude escoliótica), devemos realizar o teste de ADAMS, no qual o paciente faz uma flexão anterior do tronco e visualiza-se a presença ou não de giba. Se tiver uma giba, trata-se de uma escoliose estruturada.

Teste Adams

Medida do ângulo de COBB:

As escolioses são classificadas, ainda, de acordo com o grau de curvatura, o qual é medido através dos testes de Cobb e de Ferguson.

O ângulo de Cobb é uma medida mundialmente utilizada para quantificar a angulação frontal da escoliose em uma radiografia de incidência A-P. A tomada de decisão em relação ao tratamento baseia-se no grau e na progressão da curvatura da escoliose, sendo que a gravidade da escoliose é diretamente proporcional à angulação da curva.

Cobb classifica as escolioses em relação a sua severidade através dos seguintes achados:

– Escoliose leve: menos de 20º.

– Escoliose moderada: de 20 a 40º.

– Escoliose grave: de 40 a 50º ou mais

REFERÊNCIAS: 

  1. Charles L.CHIROPRACTIC AND PILATES THERAPY FOR THE TREATMENT OF ADULT SCOLIOSIS. Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics Blum. Volume 25, Number 4
  2. Shea KG, Stevens PM, Nelson M, Smith JT, Masters KS, Yandow S. A comparison of manual versus computer-assisted radiographic measurement: Intraobserver measurement variability for Cobb angles. Spine. 1998; 23:551-555.
  3. Facanha-Filho FAM, Winter RB, Lonstein JE, et al. Measurement accuracy in congenital scoliosis. J Bone Joint Surg Am. 2001; 83:42-45.
  4. Morrissy RT, Goldsmith GS, Hall EC, Kehl D, Cowie GH. Measurement of the Cobb angle radiographs of patients who have scoliosis: Evaluation of intrinsic error. J Bone Joint Surg Am. 1990; 72:320-327.